Guia básico de viagem Rússia: as cidades, a cultura e a língua

by Aug 22, 2019Português, Travel

Então enfim você resolveu tirar o escorpião do bolso e fazer aquela viagem dos sonhos pra Rússia, né? Você pode estar imaginando coisas esterotípicas como frio, neve, vodka, garotas bonitas… Eu sei bem como é, passei por isso um tempo atrás naquela que foi apenas a primeira das minhas viagens pros lados soviétivos. E isso traz uma pergunta que não quer calar: preciso mesmo saber um pouco de russo pra viajar por lá ou dá pra ir com inglês mesmo?

Meu nome é Fabrício Carraro, eu sou brasileiro e falo algo entre nove e quatorze línguas, dependendo do dia e do que você consira ser “falar” uma língua.

Atualmente eu trabalho na Alura Língua, uma plataforma de aprendizado de línguas estrangeiras, onde eu tive o desafio de desenvolver o melhor curso de inglês possível para brasileiros, basedo na minha experiência aprendendo os idiomas que citei acima, como o russo, inclusive.

Já estive quatro vezes na Rússia, totalizando algo como 3 meses e meio no país, além de uma convivência por mais de oito anos com russos no Brasil e em outros países, e acredito que nesse tempo pude conhecer bem os locais e sua mentalidade.

As pessoas têm diferentes focos e expectativas em viagens longas desse tipo. Alguns se interessam mais pelo lado histórico, outros pela natureza, outros simplesmente querem se conectar com os locais, seja cultural ou romanticamente. Independente de qual seja a sua motivação, é bom estar preparado para essa aventura que te espera. Vou detalhar um pouco de cada uma dessas questões nos tópicos abaixo.

Algo que pode parecer surpreendente para algumas pessoas é a modernidade das cidades russas, principalmente Moscou e São Petersburgo.

Moscou com mais de 10 milhões de habitantes é uma cidade tão cosmopolita e caótica quanto São Paulo ou Nova York, porém sempre tive a impressão de ser, no geral, mais limpa do que ambas.

O metrô é gigantesco e cobre praticamente a cidade toda, e vale destacar também a profundidade e a beleza de suas estações; muitas foram construídas com a ideia soviética de serem “palácios do povo”, com muita arte para todos os lados.

A Praça Vermelha valeria um capítulo à parte; ela exala história por seus poros, seja da exuberância multicolorida da Catedral de São Basílio ou da vermelhidão do Kremlin, fortaleza que abriga governos e czares russos há séculos.

Por ser tão cosmopolita, os locais são vistos pelos próprios russos de outras cidades como sendo um pouco rudes ou arrogantes. Seja isso verdade ou não, é definitivamente a cidade mais rica de toda a Rússia, a capital econômica aonde a juventude vai para buscar empregos.

Já São Petersburgo é chamada de “capital cultural” do país, devido à longa história que vem desde Pedro, o Grande, passando pelos tempos do soviete de Petrogrado, antigo nome da cidade, e chegando aos dias de hoje.

Uma característica popular da cidade são as “noites brancas”, período no qual devido ao fato de a cidade estar muito ao norte do equador, praticamente não anoitece; existe uma penumbra que vai das 23:00 às 02:00 ou 03:00, horário que já amanhece novamente.

Outras cidades que posso destacar são a moderna Sochi; Kazan, capital do Tatarstão; Volgogrado, antigamente conhecida como Stalingrado; Elista, uma cidade budista no meio da Rússia; entre outras que podem ser conhecidas com a ferrovia transsiberiana.

Engana-se quem ainda pensa nos russos atuais como uma sociedade soviética. Eles têm uma sociedade moderna, capitalista, mas com suas peculiaridades ao compararmos com o ocidente.

A sociedade russa continua bastante conservadora. Ser homossexual pode ser um problema no país, que aprovou atualmente uma lei proibindo a realização de paradas do orgulho gay em Moscou por 100 anos.

Além disso, já ouvi de diversas amigas (e de uma namorada) russas que elas acreditam que o homem deve ser o responsável por prover, que ele deve ganhar mais que sua parceira, pagar os jantares para a namorada, enquanto que a mulher será a responsável pelos filhos. Elas se chamavam de “mulheres à moda antiga”. Obviamente nem todos os russos são assim, porém são coisas que ouvi diretamente da boca de dezenas de nativas de diferentes cidades e diferente criação, e que me fizeram pensar bastante nessas diferenças culturais entre as nossas nações.

Adicionalmente, em minha experiência, sempre fui muito bem tratado pelos russos que conheci nesse tempo. Eles têm um ótimo senso de humor, são tão fanfarrões quanto nós brasileiros e sabem se divertir.

Pois é, aí a coisa ficou russa! Agora sem brincadeira, os russos em geral falam inglês tão bem quanto os brasileiros. Ou seja, é provável que você encontre várias pessoas que pelo menos “se viram” em inglês em cidades grandes como Moscou e São Petersburgo e entre pessoas jovens, mas a enorme maioria fala muito pouco e tem vergonha de falar, ou realmente não fala nada mesmo.

Muita gente se assusta pelo fato dos russos usarem o alfabeto cirílico, mas essa é de longe a menor das dificuldades. A maioria das letras é igual ou bem parecida com as nossas, e é algo que dá pra aprender bem em uma semana.

Aprender ou não mais do que isso é uma questão do que você está buscando no país. Se o seu foco é apenas viajar por alguns dias fazendo o percurso histórico nas cidades grandes, eu recomendaria dar uma olhada no alfabeto para pelo menos reconhecer o nome das estações de metrô; também pode ser uma boa aprender coisas básicas como “Onde fica…?”, “banheiro”, entre outras.

Já se você quer ir pra baladas, ter mais contato com os locais e talvez se envolver romanticamente, seria uma boa falar pelo menos um nível básico da língua. Isso com certeza abrirá muitas possibilidades, pois, assim como nós brasileiros, eles também se alegram muito quando veem estrangeiros aprendendo e tentando falar a sua língua.

No pior dos casos, sempre existe o Google Translate. Presenciei durante a Copa do Mundo na Rússia diversos casos de brasileiros “chegando” em garotas russas que não falavam inglês com a ajuda desse tradutor de celular. Não posso afirmar se deu certo ou não, mas achei válido e corajoso o “approach”.

Vale sempre perguntar pro meu amigo Conor Clyne, dono deste blog, que tem mais experiência nessa área.

A Rússia é definitivamente um país lindo que vale a sua visita, e depois de ler este artigo você estará mais preparado para essa viagem tão distante e tão enriquecedora culturalmente.

Me conte depois aqui nos comentários como foi!

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